Mergulhar é bom demais !
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NOTÍCIAS

25/10/2017

Visitando e mergulhando em Silfra – Islândia

Em abril de 2017 tive a oportunidade de realizar um mergulho bastante singular… Mergulhar em Silfra, na Islândia.

Silfra é uma fenda localizada no lago Þingvallavatn, no parque nacional Þingvellir, na Islândia. Esse parque nacional, bem como o lago e a fenda, estão localizados no vale onde as placas tectônicas da “América do Norte” e da “Euroasiática” se encontram.

Tendo feito mais da metade da minha vida de mergulho em águas tropicais onde podia (e assim o fiz) mergulhar sem roupa de mergulho, mergulhar em águas com temperatura de 2-3 graus Celsius seria um desafio e tanto.

Pesquisa feita pela internet, decidi com qual operadora faria o mergulho, e por questão de data e valores, todos me pareceram muito profissionais e tinham ótimos comentários na internet.

Não pude fechar apenas o mergulho, pois não possuía curso de roupa seca, curso esse, que eu até tentei realizar no Brasil, mas apesar de encontrar vários instrutores, não havia ninguém que disponibilizasse uma roupa seca. Precisei fechar um “combo” oferecido pela operadora que contemplava um curso de roupa seca da PADI com o mergulho em Silfra. Os mergulhos do curso da roupa seca já seriam em Silfra, matando assim, dois coelhos com uma paulada só.

Tudo pago e agendado, programei um dia a mais na Islândia e ao fim do meu tour, iria realizar o curso e os mergulhos, tendo ainda 24h para o voo no dia seguinte às 22h.

Mudanças de última hora

Maaaas, e sempre tem um “mas”, no dia 13 de março recebi um e-mail que bagunçou tudo. O e-mail da operadora informava que, por mudanças nas leis ambientais do país, o mergulho com cilindro em Silfra passou a ser permitido apenas para mergulhadores com certificação de mergulho com roupa seca. Para snorkel não mudou nada. O combo que tinha contratado para realizar o curso em Silfra simplesmente não existia mais, e tudo isso, há duas semanas para o embarque. Mais em cima da hora, impossível.

Portanto, já fica aqui o alerta: se você pesquisou sobre mergulho lá em Silfra e encontrou algo se referindo a esse combo, curso e mergulho em um único dia, saiba que essa informação está desatualizada. A partir de 12 de março de 2017, essa possibilidade de fazer tudo em um único dia não existe mais.

A operadora já propôs no e-mail, devolver o dinheiro caso não quisesse ou conseguisse realizar a mudança necessária, já que estava claro que não era culpa minha. Nem deles na verdade, mas minha também não era.

Me propuseram logo de cara, mudar o combo de 1 dia pra um combo de 2 dias, curso de roupa seca num dia, mergulho em Silfra no outro. Podia também mudar pra mergulho de snorkel ou receber o dinheiro de volta.

O mergulho de snorkel eu descartei de imediato, não me agradou nem um pouco a ideia de chegar tão perto e não conseguir fazer o que havia planejado. A frustração talvez fosse maior que a alegria.

Mudar para dois dias parecia mais sensato, mas tendo de mudar três voos já comprados (iria ficar algumas semanas mais na Europa), bem como perder tickets de trem também já comprados com tarifa promocional (não havia remarcação) e ficar um dia mais na Islândia, tornou-se tarefa impossível ou, no mínimo, absurdamente cara.

No final, acabei indo para a Islândia, retornei para a Europa e voltei para a Islândia para realizar o curso e mergulhar em Silfra. Loucura, mas foi o que acabou dando certo. Como iria ficar quase um mês na Europa, consegui fazer as alterações pagando uma diferença aceitável.

Mergulhando em SIlfra – Islândia

O dia extra que tinha na Islândia na primeira ida, usei para bater perna na pequena capital Reykjavik, conhecer a culinária e cerveja local, e foi tudo ótimo !

Fui pra Islândia num tour de sete dias com um grupo de brasileiros, fiquei um dia mais já separado do grupo, voltei a Londres e a partir de lá, fiz um tour pela Europa. No fim desse tour voltei para a Islândia.

No dia seguinte, às 7h da manhã, lá estava a van para me buscar no hostel e fomos para uma piscina pública onde faríamos o curso. A água da piscina era aquecida, mas não a ponto de ficar quente. Frio de 0 grau com chuva e vento do lado de fora.

Fazer o curso em inglês, que me deixou preocupado no começo, logo deixou de ser preocupação, visto que o instrutor era bem calmo, falava tudo de forma bem tranquila. O idioma definitivamente não foi problema. Realizamos dois mergulhos e tudo transcorreu bem e retornei ao hostel por volta de 17h.

No segundo dia, novamente às 7h da manhã, lá estava a van com mais gente. No dia do mergulho em Silfra haviam 12 mergulhadores, somando scuba e snorkel. Além disso, havia uma equipe de quatro pessoas para nos auxiliar a equipar e guiar o mergulho.

O mergulho em Silfra é praticamente um mergulho de drift, devido às correntes geradas pela água que brota do chão para alimentar o lago, que não é alimentado por rio ou córrego. Em quase todo o mergulho você é levado pela correnteza nadando apenas para ajustar a posição ou desviar das pedras. É um mergulho bem tranquilo.

É um mergulho de circuito, onde realizamos um circuito pré-definido com um instrutor na frente do grupo e outro atrás, não havendo muita liberdade pra sair do planejamento. Além disso, é um mergulho raso, máximo de 8-9m com média de 3-5m de profundidade. O mergulho dura aproximadamente 25 minutos do começo ao fim.

A entrada é feita por uma escada metálica recentemente instalada. Essa estrutura de entrada está a uns 50-70 metros do estacionamento onde as vans param. É necessário, portanto, fazer uma pequena caminhada já todo equipado para alcançar o ponto de entrada. A saída também feita por estrutura de escada metálica, ficando um pouco mais longe do estacionamento, exigindo uma caminhada de uns 250-300 metros. É tranquilo, chão bem cascalhado, dando pra facilmente e sem pressa.

Visibilidade

A visibilidade da água em Silfra é algo inexplicável.

Pelo fato da água brotar do chão e chegar já filtrada ao lago, além da baixa temperatura que facilita muito a decantação de qualquer partícula em suspensão, a transparência da água é algo que eu nunca tinha visto. Já havia mergulhado em locais com visibilidade espetacular, como Fernando de Noronha, Florida Keys e Maceió, mas Silfra é inexplicável.

Dizem que a visibilidade ultrapassa os 100 metros e não duvido. Em algumas fotos que fiz com minha GoPro, se não fossem as bolhas de ar da instrutora à minha frente, daria pra pensar que estávamos “flutuando”, pois simplesmente não se vê a água.

O mergulho é simplesmente sensacional. “Termicamente” falando, foi muito confortável.

O segundo mergulho foi basicamente igual ao primeiro e por volta das 14h, já estava de volta ao hostel e passar as últimas horas nesse país sensacional, fechar as malas e partir de volta pro Brasil no outro dia.

Algumas semanas antes, ao visitar esse mesmo parque onde realizei o mergulho, estive com um guia português residente há 10 anos na Islândia. Ele apontou para o lago onde os mergulhadores estavam e, em tom de crítica e sem saber que estaria ali dentro de algumas semanas, disse: “O pessoal mergulha ali e fala que é o local onde as placas se encontram.

Como pode ser ali se existe este paredão de pedra gigantesca aqui (e apontava para a parede de pedra perpendicular à Silfra)” ?

Ele afirmava que onde estávamos caminhando, era o local onde as placas se encontravam, e que onde o pessoal mergulhava era só conversa pra “enganar” turistas.

Por outro lado, a equipe da operadora adotou postura mais “educada” e sensata.

O instrutor explicou que não é bem assim e que dá pra dizer com exatidão onde uma placa tectônica começa e a outra termina. Concluiu dizendo que é indiscutível que mergulharíamos no vale onde as placas se encontram, e em tom de brincadeira, incentivou que fizéssemos a foto com as mãos tocando nas placas da América do Norte e na Euroasiática” porque, independente de qualquer coisa, era um mergulho único que estávamos prestes a fazer.